São Carlos: Exportações encolhem 12,7% em janeiro
sexta-feira, 13 de maio de 2011A cidade São Carlos exportou um montante de US$ 22,5 milhões em janeiro de 2011, enquanto no mesmo período de 2010 foram US$ 25,8 milhões. Os dados do Ministério da Indústria e Comércio Exterior (MDIC) mostram que a Tecumseh do Brasil Ltda., que produz compressores para refrigeração, segue na liderança de exportações.
Apesar disso, a companhia registrou um recuo de 19,17% em janeiro. A empresa fabricante de compressores exportou US$ 13 milhões, porém em 2010 foram US$ 16 milhões.
A indústria Faber Castell apresentou crescimento de 51,4% no período, com US$ 3,9 milhões exportados. No ano passado foram US$ 2,6 milhões. A Volkswagen também apresentou crescimento de 10,3%. Neste ano, exportou US$ 1,3 milhão, enquanto no ano anterior foi exportado US$ 1,2 milhão.
Importações – Com relação aos dados do comércio exterior referentes à importação local, São Carlos revela números surpreendentes no primeiro mês deste ano. O salto foi de 77% em relação a janeiro de 2010. Em janeiro de 2011 as empresas importaram US$ 18,2 milhões. No ano anterior foram US$ 10,2 milhões.
Alemanha encabeça o índice com 39%. Estados Unidos (11,6%), China (9,6%) e Itália (9,4%) completam a lista. Os países que mais receberam a produção exportada pelas indústrias de São Carlos foram: Argentina (22,9%), Estados Unidos (20,8%), Egito (9,1%) e França (4,1%).
A atual cotação do dólar está assustando o parque fabril de São Carlos. Os empresários do setor afirmam que a política do cambial cria o pior dos mundos, à medida em que dificulta as exportações, reduzindo de forma drástica a rentabilidade, e, e outro facilita demais as importações, fazendo entrar no país produtos chineses muito baratos, contra os quais seria impossível concorrer.
“Caso nada seja feito, assistiremos a maior quebradeira das empresas da área industrial da história brasileira. E o pior é que existem perspectivas que o dólar baterá em R$ 1,55. Se isso acontecer realmente teremos a falência da nossa indústria, a verdadeira desindustrialização do país”, alerta o diretor regional do Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo), Ubiraci Moreno Pires Corrêa.
Segundo ele, este valor de dólar vai fazer com que os consumidores optem pela compra de produtos chineses e de outros países que têm facilidades para exportar, inviabilizando de forma definitiva o setor fabril nacional.
A Tecumseh do Brasil Ltda., empresa produtora de compressores para refrigeração comercial e doméstica, chegou a exportar 80% da produção e agora exporta 50%. A empresa viveu seu auge até 2002, quando o dólar chegou a R$ 3,99, às vésperas da posse do então presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva.
Os problemas começaram em 2003, com a explosão dos preços das matérias primas utilizadas para a produção do compressor, como cobre, alumínio e aço, entre outros e a política cambial do governo Lula que valorizou o real para conter a inflação. Atualmente, a companhia exporta apenas metade da produção, redirecionando seu mercado para o mercado interno.
“A atual paridade existente entre dólar e real atinge diretamente a competitividade das empresas exportadoras, colocando-as em difícil situação face a seus competidores em outros países”, ressalta o gerente de Recursos Humanos da companhia, Antonio Sasso Garcia Filho.
Fonte: Jornal A Folha


