Marcha das Vadias leva 200 pessoas às ruas de São Carlos em protesto
segunda-feira, 27 de maio de 2013A Praça Santa Cruz foi o ponto de encontro para cerca de 200 pessoas que participaram da 2ª edição da Marcha das Vadias da Cidade de São Carlos (SP). O evento, que luta pelo fim da violência contra a mulher e pela igualdade de gêneros, percorreu ruas do centro da cidade na manhã deste sábado (25). Homens e mulheres com cartazes e frases de protesto pintadas no corpo caminharam juntos até a Praça do Mercado Municipal.
“A marcha surgiu no Canadá como uma resposta a um policial que disse que para as mulheres não serem estupradas elas não deveriam se vestir como vadias. Foi uma reação no sentido de dizer que a culpa pelo estupro ou pela violência sofrida não é da mulher, e sim do machismo que é reproduzido pela sociedade”, explicou Cibele Aparecida Ferreira, integrante da Frente Feminista de São Carlos, responsável pela organização do evento na cidade São Carlos.
Com batom vermelho nos lábios e faixas pretas pintadas na altura dos olhos, os manifestantes distribuíram panfletos com as definições dos tipos de violência sofrida pela mulher e a importância da lei Maria da Penha.
“Muitas vezes as mulheres não são amparadas institucionalmente para fazerem uma denúncia. É uma exposição muito grande, uma dificuldade, tem muitas barreiras para superar e quebrar esse silêncio. Não dá para guardar pra si, é importante denunciar para que isso apareça cada vez mais”, disse Cibele.
A dona de casa Vilma Costa, de 62 anos, fazia compras no centro da cidade, mas parou para apoiar a marcha. “Nem todo mundo que usa minissaia ou que está exposta é vadia. O homem não tem o direito de falar qualquer coisa de quem se veste assim. Não é a roupa que importa, é o caráter”, declarou.
No calçadão da Rua General Osório, o grupo encenou situações de opressão e machismo. “A marcha e qualquer manifestação contra o machismo não atinge só a mulher, o machismo também oprime o homem. Ele também tem que se adequar a padrões de comportamento, de vestimentas e de atitude diante dos outros para ser enquadrado como homem. O combate ao machismo também é uma forma de libertar o homem, não só a mulher”, declarou o professor Airton Moreira Junior.
Por que vadias?
Apesar do nome, visto como pejorativo pela maioria das pessoas, a denominação “vadia” tem um significado. A Marcha das Vadias surgiu no Canadá, após uma onda de estupros na Universidade de Toronto. Um policial, convidado para orientar sobre segurança, disse que as mulheres poderiam evitar o estupro se “não se vestissem como vadias”. Essa fala gerou muita indignação e uma série de protestos que culminaram na primeira Marcha das Vadias.
O movimento se espalhou pelo mundo e manteve o caráter de problematizar a violência contra a mulher e a atribuição de culpa às próprias mulheres pelas violências que sofrem.
Fonte: G1


