Com a nova lei, procura por diaristas cresce 30% em agência de São Carlos
quinta-feira, 4 de abril de 2013Uma agência de diaristas de São Carlos (SP) já registrou um aumento de 30% na procura pelas profissionais desde que foi aprovada na última terça-feira (26) a chamada PEC das empregadas domésticas, que amplia os direitos da categoria. A ideia dos contratantes é evitar as novas despesas, como horas extras e fundo de garantia, com uma empregada fixa.
O dono da agência,Waldir Lucas Júnior, explicou que, com o aumento da demanda, vai precisar contratar mais duas diaristas. “A procura está sendo imensa e temos dificuldades em encontrar profissionais para estar colocando em termo emergencial”, contou .
A diarista que trabalha na agência está sempre com muito serviço na cidade de São Carlos. “A cada uma que entra em 10 dias a agenda já fica lotada”, explicou Lucas.
A engenheira cartográfica Fernanda Ferreira disse que preferiu a agência principalmente pela dificuldade em encontrar esse tipo de profissional. “Você tem que ter confiança na pessoa que você vai colocar dentro da sua casa. Quando você contrata uma empresa, você passa a confiar na empresa.”
Dalila Veltrone foi empregada doméstica por mais de dez anos, mas prefere sua ocupação atual de diarista, quando trabalha quatro dias da semana em três casas. Ela acredita que os dias que sobram na sua agenda irão ficar mais disputados. “Não falta serviço pra mim, quando tenho conhecimento que alguém está precisando de empregada, logo me candidato à vaga. Agora com a nova lei a procura vai aumentar e eu vou aceitar”.
Vínculo trabalhista
O professor de direito, Renato Barros,disse que a faxineira que não está vinculada a uma empresa é uma prestadora de serviço, mas se ela for três vezes por semana na mesma casa, há vínculo trabalhista. No caso de duas vezes por semana, a Justiça também pode entender que existe esse vínculo caso o horário seja estabelecido pelo patrão e o pagamento seja mensal. “A diarista trabalhou, recebe a prestação do dia trabalhado e acabou o vínculo entre trabalhador e patrão”, explicou.
Direitos
Quem trabalha como autônomo, não tem os mesmos direitos dos empregados. “Quem contrata o serviço não tem obrigação de pagar vale transporte, vale refeição, nenhum custo incide sobre o dono da casa e o diarista tem que recolher o próprio INSS”, explicou Barros.
Dalila Margarida Antônio Zeotrone recolhe o próprio INSS e irá se aposentar em dois anos. Ela não quer parar de trabalhar, principalmente porque a valorização da profissão deve fazer diferença no bolso. “Hoje eu recebo R$ 80 a diária, se houver aumento para R$ 90, R$ 100, será melhor. Eu vou ter o dinheiro na minha mão, bom, honesto e bem trabalhado”, ressaltou.
Fonte: G1


